domingo, 4 de janeiro de 2015

Cid Gomes defende reforma no currículo do ensino médio

Novo ministro da Educação recebeu o cargo do petista Henrique Paim.
Segundo ele, currículos têm de levar em conta ‘características regionais’.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
O novo ministro da Educação, Cid Gomes, defendeu nesta sexta-feira (2), ao receber o cargo do antecessor, Henrique Paim, uma reforma no currículo do ensino médio das escolas brasileiras que leve em conta as diferenças culturais dos estados.

“Temos como grande meta melhorar a qualidade do ensino fundamental. No ensino médio, além de ampliar o acesso, reformar o currículo, compreendendo as características regionais de cada estado”, afirmou.
A cerimônia de transmissão do cargo foi realizada no Ministério da Educação. O plenário ficou lotado e contou com a presença de ministros, parlamentares e reitores de universidades federais.
Em discurso, Cid Gomes afirmou que, após os esforços dos governos Lula e Dilma pela redução da desigualdade e combate a fome, é chegado o momento de trabalhar pela "inclusão pelo saber".
“Brasil pátria educadora. Este é o lema do segundo governo da nossa presidenta Dilma Rousseff. Como disse também nossa presidenta, a educação será a prioridade das prioridades. O Brasil nos últimos 12 anos teve grande êxito com políticas sociais e de segurança alimentar, permitindo que o Brasil saísse do mapa da fome. Agora o novo desafio é o da inclusão pelo saber. A educação é o caminho certeiro para o desenvolvimento humano”, disse.
Após a cerimônia, em entrevista aos jornalistas, Cid Gomes explicou que a reforma no ensino médio será discutida com educadores e diversos setores da sociedade antes de ser implementada num prazo de até dois anos.
“Acho que, começando agora, em dois anos podemos ter a sua implantação”, afirmou. Segundo Cid, as mudanças curriculares ainda serão definidas em “ampla discussão” com educadores e demais setores da sociedade.
Ele defendeu, porém, que os estudantes tenham  contato maior com matérias que possam embasar os cursos que pretendem seguir nas universidades.
Na França, por exemplo, os alunos decidem se querem se aprofundar em matérias de humanas ou exatas. “Eu pessoalmente defendo que seja oferecido aos estudantes de ensino médio um aprofundamento nas áreas que eles tenham interesse”, ressaltou.
'Desigualdades educacionais'
Ao discursar antes de transmitir o cargo para Cid Gomes, Henrique Paim afirmou considerar que os governos Lula e Dilma conseguiram reduzir as “desigualdades educacionais”. Ele citou a instituição de cotas nas universidades como política de inclusão social.

“Inauguramos um processo de valorização da universidade pública e conseguimos implantar a lei de cotas, que considero a política mais importante, permitindo que negros, indígenas e pessoas de escolas públicas conseguissem acessar as universidades federais”, afirmou.
Salário dos professores
Em entrevista coletiva concedida ao final da solenidade, o novo ministro da Educação afirmou que o reajuste do piso salarial dos professores em 2015 deverá ser definido na próxima semana. Ele não quis, porém, adiantar o valor.

“O piso é pago por estados e municípios e ele já tem balizamento definido por lei. Quero conversar com representantes de quem vai receber e com quem vai pagar antes de anunciar publicamente”, afirmou. 
Cid Gomes também negou ter dito que professores devem trabalhar por paixão e não por dinheiro. Essa suposta declaração do ex-governador do Ceará tem circulado pela internet e virou alvo de piadas e críticas. Aos jornalistas que cobriam a cerimônia de transmissão de cargo, Cid disse que professor precisa ter vocação, mas também boa remuneração.
“O que eu disse é que qualquer servidor público, seja ele vereador, governador, médico, deputado, professor antes de qualquer coisa precisa ter vocação. É um espaço que você tem por natureza a posição de sacrifício pessoal. Claro que você tem que ter boa remuneração. Eu nunca disse que não. Seria um contrassenso porque sou filho de professores. Até por experiência pessoal sei da importância de ter boa remuneração”, afirmou.
Perfil
Cid Gomes integra uma família com tradição na política do Ceará, estado que governou de 2007 até esta quinta-feira (1). Filho de prefeito, irmão de um ex-ministro de Estado e de um deputado estadual, Cid Gomes é natural de Sobral, município do sertão cearense, onde os Gomes dão nome a vias públicas e escolas.

No ano passado, ele se desfiliou do PSB após entrar em rota de colisão com o então presidente nacional do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos – morto em agosto deste ano em um acidente aéreo no litoral de São Paulo.
O futuro ministro decidiu deixar a sigla ao lado de aliados cearenses – incluindo o irmão mais velho, Ciro Gomes – no momento em que Campos rompeu com o governo Dilma Rousseff para se lançar na corrida pela Presidência.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Novo ministro da Educação prevê reforma no currículo do ensino médio



A reforma no currículo do ensino médio será a prioridade do futuro ministro da Educação, Cid Gomes. "Não será de um dia para o outro, vamos negociar com todo mundo antes", disse à Folha.
A proposta defendida por Cid é a adequação do currículo à aptidão do aluno. Se ele tiver propensão à área de exatas, por exemplo, poderá dar ênfase à matemática e à física no ensino médio.
Além da reforma, o novo ministro cita entre suas metas a ampliação de vagas no ensino infantil e de escolas de tempo integral, promessa de Dilma Rousseff na campanha.
Segundo Cid, no ensino integral, a ideia é focar as séries finais do ensino médio e fundamental, priorizando as periferias das grandes cidades.


Pedro Ladeira - 4.nov.2014/Folhapress
Futuro ministro da Educação, Cid Gomes (Pros) diz que fará reforma no ensino médio
Futuro ministro da Educação, Cid Gomes (Pros) diz que fará reforma no ensino médio
 
Governador do Ceará em fim de mandato, Cid Gomes toma posse na pasta em 1º de janeiro. A melhora em alguns indicadores educacionais no seu Estado foi o que motivou o convite de Dilma.
Recentemente, o governo federal chegou a adotar um programa de alfabetização inspirado em uma iniciativa cearense para ensinar crianças de até oito anos de idade a ler e a escrever.
Na política, Cid esteve do lado de Dilma quando seu antigo partido, o PSB, votou a favor do rompimento com o governo federal, em 2013. Dias depois, acabou saindo do PSB e entrando no Pros.
Cid provocou polêmica com uma frase durante paralisação de professores em 2011, ao comentar os baixos salários de um docente no Ceará: "Quem entra na atividade pública, e isso vai de deputado, a governador, prefeito e vereador e também médico, professor e policial, a meu juízo, deve entrar por amor, e não por dinheiro."
À Folha, disse ter sido mal interpretado. "Sou filho de professores. Meus pais me sustentavam com o salário deles, amavam o que faziam."
Deputados petistas tentaram impedir a escolha de Cid Gomes para o ministério.
O núcleo de educação do PT apresentou uma carta com 21 assinaturas a Dilma, no início do mês, pedindo que um petista ocupasse o cargo.
Os deputados lembravam que será a primeira vez em doze anos que um político de outro partido assumirá o controle da pasta. Segundo eles, o ex-presidente Lula também ficou contrariado.
"Essa é um reivindicação legítima, dado o acúmulo do partido no setor", argumentou a deputada Fátima Bezerra, coordenadora da bancada da educação. Para acalmar os ânimos, Cid sinalizou com a possibilidade de petistas participarem do ministério.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Cidade natal de Cid Gomes inspirou programa nacional de alfabetização

Sobral tem uma das melhores avaliações do Ideb no Ceará e no Brasil.
Programa de alfabetização na idade certa começou em Sobral, no Ceará.

Do G1 CE
No último discurso como governador, Cid destaca avanços na educação (Foto: TV Assembleia/Reprodução)No último discurso como governador, Cid destaca
avanços na educação
(Foto: TV Assembleia/Reprodução)

A cidade natal do governador do Ceará, Cid Gomes, nomeado nesta terça-feira (23) como ministro da Educação, inspirou programas nacionais de educação. O Programa de Alfabetização na Idade Certa, desenvolvida inicialmente em Sobral, foi a base para a criação do Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa, do Governo Federal.
"Essas avaliações, tanto as feitas pelo Ministério, quanto as avaliações censitárias, mostram um quadro preocupante da distribuição regional da desigualdade. Por isso, é tão importante que lá em Sobral, um prefeito e hoje um governador tenham mostrado que encarar a alfabetização na idade certa, não só é possível, como foi realizado. Faz parte da realidade do Ceará", afirmou Dilma Rousseff, quando anunciou o lançamento do pacto nacional.
Durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará, antes do anúncio oficial de que ocuparia o cargo de ministro, Cid Gomes destacou ações voltadas para educação durante seu governo, de 2006 a 2014. "Essa experiência teve muito resultado e está sendo estendida desde o ano passado até o quinto ano no Ceará", afirmou.
A cidade de Sobral alcançou a meta estabelecida para 2021 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Segundo o Ministério da Educação, o PNAIC envolverá 108 mil escolas, 400 mil turmas e 360 mil professores.
No Ceará, o Programa Alfabetização na Idade Certa capacitou cerca de 15 mil professores dos 184 municípios cearenses e beneficia mais de 300 mil alunos de 1º e 2º ano do ensino fundamental, de acordo com o governo do estado. O projeto recebeu investimento de R$ 20 milhões do governo estadual.
Polêmicas com professores
Cid Gomes também se envolveu em polêmicas que geraram protestos e greves de professores da rede pública estadual. Durante greve de professores das universidades públicas estaduais em 2011, Cid falou que a categoria deveria "trabalhar por amor". "Isso é uma opinião minha que governador, prefeito, presidente, deputado, senador, vereador, médico, professor e policial devem entrar, ter como motivação para entrar na vida pública, amor e espírito público", afirmou.

Ainda em decorrência da greve, os professores ocuparam a Assembleia Legislativa em protesto contra a aprovação do reajuste salarial da categoria, abaixo do que os profissionais reivindicavam. Professores e simpatizantes da greve acamparam na Assembleia e deixaram o local apenas com uma ação da Polícia Militar, que usou spray de pimenta, gás e cacetetes contra professores. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ciro aconselha Dilma a governar com a esquerda, em ‘melhores companhias’

6/11/2014 13:11
Por Redação - de São Paulo

Ciro Gomes
Ciro, irmão do governador Cid Gomes, fez a campanha de Dilma no Nordeste

Ex-ministro no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador cearense Ciro Gomes – um dos principais líderes do partido PROS – sinaliza que a presidenta reeleita, Dilma Rousseff, está diante de uma encruzilhada e sua melhor alternativa é o socialismo. 
Irmão de Ciro, o atual governador do Ceará, Cid Gomes, apresentou a Dilma a proposta de criação de uma frente de esquerda, que poderá se transformar até em um um novo partido de apoio a governo, para garantir a governabilidade no segundo mandato.
Em artigo publicado nesta quinta-feira, na página da revista Carta Capital, na internet, Ciro Gomes não poupa críticas à base de sustentação do governo, no Congresso, e à equipe com a qual ela governou ao longo dos últimos quatro anos. Intitulado Dilma precisa de melhores companhias, Ciro afirma ser “incrível que ela (Dilma) tenha escapado da derrota com a equipe que montou no governo”.
“O submundo do mercado e da política não deram à reeleita Dilma Rousseff nem 24 horas de trégua. E não haverá paz. Isso significa duas coisas neste momento: há muito pouco tempo para o novo governo se iniciar (o calendário gregoriano pouco importa aqui) e tudo o que ela não deve nem pode fazer, sob pena de se desconstituir muito rapidamente, é tomar iniciativas atabalhoadas que simbolizem uma rendição deslegitimadora a uns ou a outros. A alta dos juros básicos da economia, estabelecidos pelo Banco Central, na quarta-feira 29 foi péssimo sinal. Aumentar a gasolina neste contexto, fatal. Negociar com a escória que vota contra o governo na Câmara dos Deputados, e, logo, logo, no Senado, em seus termos e por meio da pedagogia da chantagem, será mortal”, afirma o ex-governador.
Ciro Gomes acredita que não exagera “em nenhum desses argumentos”. Dilma Rousseff, afirma, “só venceu as eleições pelo fato de a maioria precária de nós, brasileiros, perdoarmos as graves contradições de sua governança e, especialmente, de sua condução da economia”.
“E o fizemos por argumentos de duas ordens: confiamos em sua boa-fé e decência pessoal, vis-à-vis a crônica de desmandos e escândalos magnificados pelos sócios majoritários da imoralidade pátria, especialmente na grande mídia. E, acima de tudo, penso eu, por percebermos que, por trás de tudo, é possível enxergar que a “turma” que Dilma de fato representa, apesar de sua mania de andar mal-acompanhada, os valores mais importantes para o povo: o compromisso nacional, o trabalho como bem central em uma nação civicamente sadia, o compromisso moral com a superação da vergonhosa desigualdade que nos aparta (de um lado, uma elite minúscula, mas aferrada a uma cultura escravocrata, de outro, imensas maiorias excitadas com informação globalizada de um padrão de consumo ao qual não conseguem ascender com o pouco que evoluíram). Não é o suficiente para sustentar um novo governo com os problemas graves e urgentes no horizonte, mas é suficiente para recomendar: nesses valores, e não naqueles dos reacionários, Dilma precisa escorar-se para enfrentar a difícil tarefa que lhe espera”, acrescenta.
O ex-governador do Ceará aponta “algumas obviedades, outras nem tanto: equipe, agenda, foco, amor ao resultado, urgências”. Na opinião dele, “nada disso caracterizou o governo que se ‘encerrou’. Na verdade é incrível que Dilma tenha escapado da derrota com a equipe (salvemos as raríssimas exceções) inacreditável com que governou. E o problema não é a conciliação com picaretas bem-recomendados pela ‘base’, enquanto a presidenta faz, repleta de sinceridade, um discurso moralista”.
“Crise mesmo não é, porém, aquela essencialmente política, embora possa ser igualmente complexa. A crise potencialmente explosiva é a econômica. O país tem sido administrado da mão para a boca e nossas margens se estreitam de forma muito grave. Também aqui não creio exagerar. O ano de 2015 já será difícil se for feito tudo o que é preciso. E será pior se nada for feito. Alguns números para embasar as minhas preocupações: o desequilíbrio nas contas correntes do Brasil com o exterior é o maior da história e tende a aumentar (US$ 86 bilhões). A balança comercial de produtos manufaturados (diferença entre o que compramos e vendemos no mercado internacional no setor industrial) alcança US$ 106 bilhões. As contas fiscais se deterioraram aceleradamente nos últimos meses e a reversão pela via conservadora e não seletiva levará inevitavelmente à recessão”, pontua.
Ex-ministro da Fazenda, Ciro constata que “do câmbio vem uma pressão inflacionária, da área fiscal, uma pressão recessiva”:
“Primeiro efeito: estagflação. Resultados mais graves: o estreitamento da margem para os ganhos salariais e, no médio prazo, para a manutenção do nível de emprego. Se acontecer, os fundamentos centrais do novo e precário contrato político de Dilma Rousseff com a maioria será atingido. Para tudo há solução. Nenhuma delas mágica, acredito. Mas nenhuma produzida a partir da prostração ideológica que caracterizou a campanha eleitoral. Fora do trivial cardápio moralista, discutiram-se apenas as nuances de conservadorismo”.
“A presidenta precisa desinterditar o debate, chamar a inteligência brasileira e pedir que todos deixem suas certezas na porta de entrada e, livres de preconceitos, produzam uma ideia comovente ao país. Uma economia política inteligente guiada pelo pragmatismo na superação de nossos desequilíbrios. Um projeto de nação que coloque todo e qualquer sacrifício na perspectiva de uma construção de futuro. Não duvide: se Dilma temer os riscos e preferir as acomodações que se planejam para ela e seu tempo precário… Bem, Deus proteja o Brasil”, conclui.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cid Gomes sugere fusão de partidos para reforçar base de apoio a Dilma

Governador do Ceará diz que vai articular criação de bloco na Câmara.
Objetivo é tentar enfraquecer o chamado ‘blocão’ liderado pelo PMDB.

Filipe Matoso Do G1, em Brasília
O governador do Ceará, Cid Gomes, concede entrevista após se reunir com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto (Foto: Filipe Matoso / G1)O governador do Ceará, Cid Gomes, conversou com jornalistas após se reunir com Dilma no Palácio do
Planalto (Foto: Filipe Matoso / G1)

Na tentativa de enfraquecer a influência do "blocão" liderado pelo PMDB, o governador do Ceará, Cid Gomes, sugeriu nesta terça-feira (4) a fusão de partidos que compõem a base aliada da presidente Dilma Rousseff para reforçar o apoio à petista em votações na Câmara e Senado.
Após se reunir com a presidente reeleita no Palácio do Planalto, Gomes também anunciou que articulará, imediatamente, a criação de uma frente parlamentar governista para desidratar o grupo de legendas que se uniu para ampliar o poder de negociação com o Executivo em votações da Câmara. Segundo o governador, a ideia é formar um bloco parlamentar com força sufiente para anular “pressões e chantagens” contra a presidente da República.
Cid Gomes afirmou que, para ter "relevo" na Câmara, a frente parlamentar favorável ao governo federal deveria reunir cerca de 50 parlamentares.
“Isso [a criação de uma frente na Câmara] tem que ser discutido para que a gente aprimore e veja a melhor estratégia. O melhor, para mim, seria, inicialmente, compor a frente e que ela possa evoluir, na sequência, a um partido novo. Um partido que resulte da fusão de alguns partidos”, explicou o governador do Ceará.
Apesar de, formalmente, fazer parte da base governista, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), negociou na semana passada com lideranças de PTB, PSC, PR e SD a criação de um bloco parlamentar para aumentar o poder de barganha com o Planalto.
Dois dias após a reeleição de Dilma, o bloco liderado por Cunha ajudou a oposição a impor uma derrota à petista no Legislativo, com a derrubada do decreto elaborado pela Presidência que estabelece a consulta a conselhos populares por órgãos do governo antes da implementação de políticas públicas.
Fusão
Ao ser questionado sobre quais partidos poderiam se unir para dar origem a um novo partido, Cid Gomes ponderou que, na opinião dele, deveriam ser legendas com ideologia de esquerda. Ele citou PDT e PCdoB como exemplos de siglas que poderiam se fundir para reforçar o apoio à gestão Dilma. Ele também ressaltou que parlamentares insatisfeitos com PSB e PSOL poderiam reforças as fileiras do eventual partido.

"Eu acho que é fundamental que ela [Dilma] possa ter, além do PT, dois partidos ou frentes fortes que possam ajudá-la na governabilidade. […] Eu penso que esse movimento, de ter uma frente ou um partido de centro para além do PMDB e um partido ou frente à esquerda, ajuda na governabilidade e reduz o espaço da pressão que muitas vezes beira até a chantagem”, completou.
A jornalistas, Cid Gomes não quis comentar quais foram as opiniões da presidente sobre a formação da frente ou a fusão dos partidos. O governador do Ceará, que deixará o cargo em dezembro deste ano, disse que seria “indelicado” manifestar o posicionamento de Dilma.
Gomes disse avaliar que, nos próximos dois meses, a presidente passe por "grandes dificuldades" em razão de "sentimentos raivosos e de vendeta". "Dos que querem prejudicá-la, prejudicar o país, prejudicar o governo e eu quero ajudá-la nisso, me coloquei à disposição", completou.
Novo governo
Questionado sobre se discutiu com a presidente reeleita uma possível participação no novo governo, Cid Gomes afirmou não ser candidato a ministro. De acordo com ele, cabe à chefe do Executivo decidir sobre quem irá chefiar as pastas a partir de 2015.

“O meu projeto, na linha onde tenho trabalhado, é ir para o Banco Interamericano, passar uma temporada nos EUA como consultor do banco”, disse o governador cearense. Ao ser indagado sobre se poderia assumir o Ministério da Educação, Gomes afirmou que não irá comentar especulações.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Risco-Marina sobe após propostas erráticas e previsão de Cid Gomes

2/9/2014 14:12
Por Redação, com Carta Maior - de Brasília


Cid Gomes
O governador Cid Gomes disparou contra Marina
A bolha eleitoral que se formou em torno da candidatura da ex-ministra Marina Silva (PSB/Rede Sustentabilidade), provocada por resultados impactantes nas últimas pesquisas de intenção de voto, recebeu sua estocada mais contundente nesta terça-feira, após o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), disparar suas considerações acerca desta candidatura. Cid se diz preocupado com o crescimento da presidenciável nas pesquisas e definiu Marina como “conservadora e reacionária”. Uma “canoa furada”. Para Cid Gomes, Marina não fica mais de dois anos no governo, caso seja eleita.
– Se as pessoas não se tocarem, vão eleger Marina Silva presidente da República. Meu Deus! A gente não pode com um gesto de protesto, induzido pela grande mídia, dar o poder para banqueiros e meia dúzia de poderosos – disparou o governador, que se desfiliou da legenda no ano passado por não concordar com a candidatura de Eduardo Campos às Presidência.
Cid Gomes afirmou que Marina tenta passar imagem de progressista, mas é “religiosamente o que há de mais conservadora e reacionária”.
– Eu não dou dois anos de governo para Marina. Ela será deposta, pode escrever o que estou dizendo. Me impressiona a proposta de autonomia do Banco Central. Sabe o que significa? Entregar aos bancos o poder de arbitrar os juros. Dizer quanto o capital financeiro quer ganhar – pontua o governador, na manhã seguinte ao debate entre presidenciáveis no canal de TV SBT.
Jogou a toalha
No debate, além das propostas ‘genéricas’ de Marina, como afirmou a presidenta e candidata petista Dilma Rousseff, o candidato Aécio Neves (PSDB) pareceu mesmo ter desistido da disputa. Pareceu ter aceitado que está fora do 2º turno e já trabalha para deixar claro a que irá prestar seu apoio à candidata Marina que, para surpresa dos desavisados, está a cada dia mais parecida com ele próprio, assumindo a defesa de bandeiras típicas do neoliberalismo e usando o artifício de falar muito e não dizer nada para sair das saias justas.
Relegado ao segundo plano, Aécio destinou sua munição a desgastar a imagem da presidenta Dilma, fazendo a defesa de princípios compartilhados com Marina, como a defesa da autonomia do Banco Central (BC). E em solidariedade à candidata do PSB que vem mudando seu programa freneticamente para agradar gregos e troianos, ele também se posicionou contrário ao aborto. Defendeu propostas que tanto podem ser tocadas por ele, um neoliberal convicto, quanto por ela, uma neoliberal recém-convertida.
Esquivou-se como pode das reais polêmicas que o atingiram. Fez contorcionismo para evitar o assunto quando foi questionado pelo candidato Eduardo Jorge (PV) se iria baixar os juros, por meio da redução da taxa Selic. E quando confrontado pelo jornalista Kennedy Alencar com a evidencia de que os muitos escândalos de corrupção envolvendo o PSDB continuam sem punição – como a compra de votos para a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o mensalão mineiro e o caso do metrô de São Paulo – se fez de surdo.
– A marca do PSDB é a marca da austeridade – garantiu.
Marina, por sua vez, mirou quem de fato lhe faz oposição programática. E inovou ao disparar seu arsenal contra Dilma: para justificar porque apoiou e participou como ministra do Meio Ambiente do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, agora, refuta com tanta veemência quaisquer iniciativas de Dilma, decidiu isolar os dois governos, como se não guardassem nenhum grau de semelhança ou continuidade. No discurso pouco claro de Marina, o governo Lula foi uma coisa e o de Dilma outra, completamente diferente, como se o eleitor não tivesse memória ou bom senso.
Quando a candidata Luciana Gerno (PSOL) questionou se ela seria “a segunda via do PSDB”, Marina se desmanchou em elogios aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). E voltou a insistir no recurso retórico de pregar que, na nova política, prevalecerão as boas ideias e as boas cabeças, independentemente de partidos e posturas ideológicas, como se fosse possível agradas a todos. “Quando se faz política, é preciso escolher um lado”, cobrou Luciana. No geral, Marina manteve sua postura de falar muito e não dizer nada. Muitas frases de efeito, e poucas respostas precisas. Pressionada a explicar porque não revela a origem dos R$ 1,6 milhão que recebeu fazendo palestras nos últimos anos, sugeriu que os eleitores comparassem as suas fontes de financiamento com as que também sustentam as palestras proferidas pelos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso. Como se isso fosse possível, dado que continuou sem revelar quem são as empresas que lhe pagaram valor tão alto.
Promessas sem compromisso
Atacada por todos os lados, Dilma Rousseff também investiu em por evidenciar as contradições do discurso da sua principal adversária, que não são poucas.
– Candidata, a senhora diz que vai antecipar 10% do PIB para a Educação (R$ 70 bilhões), 10% da receita bruta para a saúde (R$ 40 bilhões), passe livre estudantil (R$ 14 bilhões), mais dinheiro para os municípios (R$ 9 bilhões) e várias outras promessas. Todas essas suas promessas dá R$ 140 bilhões. Dá onde a senhora vai arranjar o dinheiro para cobri-las? – questionou Dilma.
Marina disse que não faz promessas, mas compromissos. E continuou sem revelar de onde extrairá os recursos necessários. Dilma tripudiou ao lembrar que o valor prometido pela adversária é quase tudo que se gasta em saúde e educação.
– E olha que nós triplicamos o valor gasto em educação e quase dobramos o gasto em saúde, apesar de termos perdido a CPMF”, complementou. “O cobertor é curto”, disparou Dilma mais tarde, ao retomar o assunto, com a autoridade que quem sabe que governar um país é fazer escolhas – acrescentou.
A presidenta também criticou Marina pelo desprezo ao pré-sal, uma riqueza invejada pelo resto do mundo. Segundo Dilma, o programa de Marina tem 242 páginas e fala do pré-sal em apenas uma. “Por quê o desprezo pelo pré-sal?”, questionou a presidenta.
– O pré-sal deve ser explorado, e nós vamos combinar com outras fontes de energia (…) O pensamento da ideia cartesiana do governo só avança numa direção – rebateu Marina.
Nervosa
A polarização já evidente entre as duas candidatas que se solidificam no segundo turno rendeu outros bons embates. Marina ganhou na simpatia. Dilma, nos argumentos. Rebatendo as críticas de Marina aos resultados da economia neste terceiro trimestre, Dilma contra-atacou:
– Um diagnóstico errado vai levar a um caminho errado. Propor como forma de solucionar o problema da economia no Brasil a autonomia do banco central só levará a maior dificuldade na regulação do sistema financeiro, o quê, aliás, foi um dos pontos centrais quando houve a crise do mercado internacional.
Embora tenha revelado que estava nervosa, a presidenta estava firme nas perguntas e pouco evasiva nas respostas. Enfrentou com dados e números todas as saias justas que os adversários tentaram lhe colocar. Mas Marina não se deu por vencida e acusou a presidenta de não reconhecer os erros do seu governo. Também não deixou claro, como é seu costume, quais erros seriam esses.

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terça-feira, 15 de julho de 2014

Brics alcançam acordo no estabelecimento da reserva de emergência  
  2014-07-16 11:24:43  cri
Os países dos Brics, grupo formado por China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul, firmaram nesta terça-feira (15) em Fortaleza, município brasileiro, capital do estado do Ceará, um acordo para a criação de uma reserva de emergência. O fundo terá um valor inicial de 100 bilhões de dólares, dos quais 41 bilhões de dólares serão de responsabilidade da China. O Brasil, Índia e Rússia se comprometem respectivamente com 18 bilhões de dólares. A África do Sul vai responder por 5 bilhões de dólares.
A liberação dos recursos se dará por meio de operações de swap (troca de indexador), pelas quais o país solicitante receberá dólares e, em contrapartida, entregará sua moeda aos países contribuintes em valores e por períodos determinados.
Batizado de Arranjo Contingente de Reservas dos Brics, o fundo complementará a rede de proteção financeira mundial, que já conta com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos internacionais, como o Banco Mundial (Bird).
O Banco Popular da China, banco central do país, declarou hoje que a assinatura do tratado possui grande significado para os membros dos Brics, sendo uma tentativa positiva das economias emergentes na resposta aos desafios globais e na criação da rede coletiva de segurança financeira. O fundo desempenhará um papel importante em estabilizar as finanças mundiais.