segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

ICMBio - Biodiversidade Brasileira (Youtube)

 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Bioma Caatinga



Mapa: Uol Educação
Mapa: Uol Educação
A caatinga é um bioma que se concentra na região nordeste do Brasil. Ocupando cerca de 12% do território nacional, ela cobre grandes faixas do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e também um pedaço do norte de Minas Gerais.
Nas regiões de caatinga, o clima é quente com prolongadas estações secas e o regime de chuvas influencia na vida de animais e vegetais. A diversidade de espécies é menor, quando comparado a outros biomas brasileiros como a Mata Atlântica e a Amazônia. Entretanto, estudos recentes revelam um alto número de espécies endêmicas, isto é, espécies que só ocorrem naquela região. A vegetação se caracteriza por arbustos tortuosos, com aspecto seco e esbranquiçado por quase todo ano.


Carcará*
Carcará*
Fauna
A maioria dos animais da caatinga tem hábitos noturnos, o que evita que se movimentem em horas mais quentes. Os lagartos são muito comuns na região: 47 espécies deles já foram catalogadas. Entre elas estão o calango verde e o calanguinho.
Ainda entre os répteis também se destacam as serpentes. Até agora foram encontradas 45 espécies de serpentes. A cascavel é uma das cobras mais vistas na caatinga.


 Arara-azul-de-Lear**
Arara-azul-de-Lear**
Algumas aves são moradoras típicas da caatinga. É o caso do carcará, da asa-branca e da gralha-canção. Neste bioma, vivia a ararinha azul, vista pela última vez na natureza em 2000 e considerada extinta pelo Ibama.
Outra ave em estado de conservação crítico é a arara-azul-de-Lear, encontrada apenas em uma pequena área no interior da Bahia, mais especificamente nos municípios de Canudos, Euclides da Cunha e Jeremoabo. Ameaçada pela perda do hábitat e captura para exportação, ela vive nas palmeiras licuri (Syagrus coronata), cujos frutos são seu principal alimento, e faz seus ninhos em cavidades nos paredões de arenito.


Rock cavy***
Rock cavy***
Os anfíbios são animais numerosos na caatinga. Para falar dos mais conhecidos, podemos citar o sapo cururu e a jia de parede.
Também existem muitos mamíferos na caatinga. Entre as árvores secas e em terrenos pedregosos, vivem onças, gatos selvagens, capivaras, gambás, preás, macacos-prego, e o veado catingueiro, também ameaçado de extinção como a arara-azul-de-Lear.

Vegetação
Quando falamos em caatinga sempre vem às nossas cabeças a imagem de um ambiente árido, seco, com árvores quase sem folhas e esbranquiçadas. Bom, realmente é assim que a vegetação da caatinga se apresenta em grande parte do ano. Entretanto, em época de chuvas, a caatinga muda seu aspecto: a paisagem fica verde e aparecem até flores.


Foto: deltafrut/Flickr
Foto: deltafrut/Flickr
A vegetação da caatinga é composta por plantas xerófitas. Isto porque ela é formada por espécies que acabaram desenvolvendo mecanismos para sobreviverem em um ambiente com poucas chuvas e baixa umidade. No bioma são comuns árvores baixas e arbustos. Espinhos estão presentes em muitas espécies vegetais. Nos cactos, por exemplo, eles são folhas que se modificaram ao longo da evolução, fazendo com que a perda de água pela transpiração seja menor.
Ainda para evitar a perda de água, algumas plantas simplesmente perdem suas folhas na estação seca. Por isso, parece que toda a vegetação está morta, sem folhas, sem verde, só caules e troncos secos e retorcidos. Mas não está. Na verdade, as plantas permanecem vivas, utilizando, por exemplo, suas raízes bem desenvolvidas para obter água armazenada no solo. Outras espécies desenvolvem raízes na superfície, o que lhes permite, no período das chuvas, absorver o máximo possível da água que cai sobre os terrenos. Existem espécies que apresentam outra solução para o problema: elas mesmas armazenam água. É o caso dos cactos.


Mandacaru cactus****
Mandacaru cactus****
Os cactos são muito representativos da vegetação da caatinga. Mas não são os únicos representantes. Mesmo com o curto período de chuvas, existe uma variedade de espécies vegetais. Entre elas estão o mandacaru, a coroa-de-frade, o xique-xique, o juazeiro, o umbuzeiro e a aroeira.
Solo
De forma geral, o solo é raso, rico em minerais, mas pobre em matéria orgânica, já que a decomposição desta matéria é prejudicada pelo calor e a luminosidade, intensos durante todo ano na caatinga.
Fragmentos de rochas são frequentes na superfície, o que dá ao solo um aspecto pedregoso. Este solo com muitas pedras dificilmente armazena a água que cai no período das chuvas.
A presença de minerais no solo da caatinga é garantia de fertilidade em um ambiente que sofre com a falta de chuvas. Por isso, nos poucos meses em que a chuva cai, algumas regiões secas rapidamente se transformam, dando espaço a árvores verdes e gramíneas.
Relevo
O relevo da caatinga apresenta duas formações dominantes: planaltos e grandes depressões. Como você já viu, são comuns fragmentos de rochas na superfície do solo.


Foto: Sergio Sertão/Wikipedia
Foto: Sergio Sertão/Wikipedia
Nas regiões mais altas, estes fragmentos também existem. É comum olhar para planaltos nordestinos e ver em seus topos grandes pedras, parecendo que irão rolar a qualquer momento! Mas fique tranquilo, pode passear pela caatinga sem medo, pois estas pedras são normais no relevo deste bioma.
As depressões são terrenos aplainados, normalmente mais baixos que as áreas em seu entorno e que podem apresentar colinas. As maiores depressões da região são a Sanfranciscana, a Cearense e a do Meio Norte.
Situado nos estados da Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas, o planalto da Borborema  é uma formação que se destaca, com altitudes variando em média entre 650 e 1000 metros. Em alguns pontos, esta marca é ultrapassada: o pico de Jabre, na Paraíba, chega a 1.197 metros e o pico do Papagaio, em Pernambuco, a 1.260 metros.
O planalto é uma grande barreira para as nuvens carregadas de umidade que vêm do oceano Atlântico em direção ao interior. Quando essas nuvens encontram este "paredão", elas se condensam, provocando chuvas nas regiões mais baixas do lado oriental do planalto, ou seja, o lado voltado para o oceano. As nuvens não conseguem ultrapassar o planalto da Borborema. Isto dificulta a ocorrência de chuvas do lado ocidental, que é marcado pela seca. Este lado seco é o que faz parte do bioma caatinga.
Água
Os rios que fazem parte da caatinga brasileira são, em maioria, intermitentes ou temporários. Isto quer dizer que estes rios secam em períodos em que não chove. No caso deste bioma, onde há escassez de chuva durante maior parte do ano, os rios que nascem na região ficam secos por longos períodos.


Rio São Francisco*****
Rio São Francisco*****
Rios que nascem em outros lugares, como o São Francisco e o Parnaíba, são fundamentais para a vida na caatinga, pois atravessam os terrenos quentes e secos em seu caminho para o mar. Estes rios são tão importantes que deram nome a duas bacias hidrográficas que banham o território: a Bacia do Rio São Francisco e a Bacia do Rio Parnaíba. A Bacia Costeira do Nordeste Oriental também está localizada nesta região.
Para enfrentar a falta de água nas estações secas, os moradores da caatinga constroem poços, cacimbas e açudes. Mesmo com estes mecanismos, na maior parte das vezes, só conseguem obter água salobra, imprópria para consumo.
Clima
O clima da caatinga é chamado de semiárido. São características desse tipo de clima a baixa umidade e o pouco volume pluviométrico, ou seja, uma quantidade reduzida de chuvas. Já falamos sobre isso neste texto antes, mas vamos reforçar, pois se trata de um aspecto fundamental da caatinga: são longos os períodos de ausência de chuvas, podendo chegar a oito ou nove meses de seca por ano.
Este clima irregular influencia o curso dos rios, que secam em determinadas épocas; diminui a disponibilidade de água para plantas, animais e para os homens; aumenta a aridez do ambiente. O clima é então um fator determinante na caatinga: ele acaba definindo a paisagem e os hábitos dos moradores deste bioma.
Imagens:
* Foto: Marcos..Fernandes/Flickr
**Foto: Marcos Pereira/Wikipedia
***Foto: Brian Gratwicke/Wikipedia
****Foto: Karinna Paz/Flickr
*****Foto: Glauco Umbelino/Wikipedia
Fontes de informação:
Ibama
MRE
Biosfera da caatinga
Linhares, Sérgio & Gewandszbajder, Fernando. Biologia Hoje - Vol 3. São Paulo: ed. Ática, 1998.
Consultoria: Vânia Rocha, bióloga / Museu da Vida (Fiocruz).
Conheça os outros biomas brasileiros:
Amazônia
Cerrado

FONTE:

http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=962&sid=2

http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=962&sid=2

domingo, 4 de janeiro de 2015

Cid Gomes defende reforma no currículo do ensino médio

Novo ministro da Educação recebeu o cargo do petista Henrique Paim.
Segundo ele, currículos têm de levar em conta ‘características regionais’.

Nathalia Passarinho Do G1, em Brasília
O novo ministro da Educação, Cid Gomes, defendeu nesta sexta-feira (2), ao receber o cargo do antecessor, Henrique Paim, uma reforma no currículo do ensino médio das escolas brasileiras que leve em conta as diferenças culturais dos estados.

“Temos como grande meta melhorar a qualidade do ensino fundamental. No ensino médio, além de ampliar o acesso, reformar o currículo, compreendendo as características regionais de cada estado”, afirmou.
A cerimônia de transmissão do cargo foi realizada no Ministério da Educação. O plenário ficou lotado e contou com a presença de ministros, parlamentares e reitores de universidades federais.
Em discurso, Cid Gomes afirmou que, após os esforços dos governos Lula e Dilma pela redução da desigualdade e combate a fome, é chegado o momento de trabalhar pela "inclusão pelo saber".
“Brasil pátria educadora. Este é o lema do segundo governo da nossa presidenta Dilma Rousseff. Como disse também nossa presidenta, a educação será a prioridade das prioridades. O Brasil nos últimos 12 anos teve grande êxito com políticas sociais e de segurança alimentar, permitindo que o Brasil saísse do mapa da fome. Agora o novo desafio é o da inclusão pelo saber. A educação é o caminho certeiro para o desenvolvimento humano”, disse.
Após a cerimônia, em entrevista aos jornalistas, Cid Gomes explicou que a reforma no ensino médio será discutida com educadores e diversos setores da sociedade antes de ser implementada num prazo de até dois anos.
“Acho que, começando agora, em dois anos podemos ter a sua implantação”, afirmou. Segundo Cid, as mudanças curriculares ainda serão definidas em “ampla discussão” com educadores e demais setores da sociedade.
Ele defendeu, porém, que os estudantes tenham  contato maior com matérias que possam embasar os cursos que pretendem seguir nas universidades.
Na França, por exemplo, os alunos decidem se querem se aprofundar em matérias de humanas ou exatas. “Eu pessoalmente defendo que seja oferecido aos estudantes de ensino médio um aprofundamento nas áreas que eles tenham interesse”, ressaltou.
'Desigualdades educacionais'
Ao discursar antes de transmitir o cargo para Cid Gomes, Henrique Paim afirmou considerar que os governos Lula e Dilma conseguiram reduzir as “desigualdades educacionais”. Ele citou a instituição de cotas nas universidades como política de inclusão social.

“Inauguramos um processo de valorização da universidade pública e conseguimos implantar a lei de cotas, que considero a política mais importante, permitindo que negros, indígenas e pessoas de escolas públicas conseguissem acessar as universidades federais”, afirmou.
Salário dos professores
Em entrevista coletiva concedida ao final da solenidade, o novo ministro da Educação afirmou que o reajuste do piso salarial dos professores em 2015 deverá ser definido na próxima semana. Ele não quis, porém, adiantar o valor.

“O piso é pago por estados e municípios e ele já tem balizamento definido por lei. Quero conversar com representantes de quem vai receber e com quem vai pagar antes de anunciar publicamente”, afirmou. 
Cid Gomes também negou ter dito que professores devem trabalhar por paixão e não por dinheiro. Essa suposta declaração do ex-governador do Ceará tem circulado pela internet e virou alvo de piadas e críticas. Aos jornalistas que cobriam a cerimônia de transmissão de cargo, Cid disse que professor precisa ter vocação, mas também boa remuneração.
“O que eu disse é que qualquer servidor público, seja ele vereador, governador, médico, deputado, professor antes de qualquer coisa precisa ter vocação. É um espaço que você tem por natureza a posição de sacrifício pessoal. Claro que você tem que ter boa remuneração. Eu nunca disse que não. Seria um contrassenso porque sou filho de professores. Até por experiência pessoal sei da importância de ter boa remuneração”, afirmou.
Perfil
Cid Gomes integra uma família com tradição na política do Ceará, estado que governou de 2007 até esta quinta-feira (1). Filho de prefeito, irmão de um ex-ministro de Estado e de um deputado estadual, Cid Gomes é natural de Sobral, município do sertão cearense, onde os Gomes dão nome a vias públicas e escolas.

No ano passado, ele se desfiliou do PSB após entrar em rota de colisão com o então presidente nacional do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos – morto em agosto deste ano em um acidente aéreo no litoral de São Paulo.
O futuro ministro decidiu deixar a sigla ao lado de aliados cearenses – incluindo o irmão mais velho, Ciro Gomes – no momento em que Campos rompeu com o governo Dilma Rousseff para se lançar na corrida pela Presidência.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Novo ministro da Educação prevê reforma no currículo do ensino médio



A reforma no currículo do ensino médio será a prioridade do futuro ministro da Educação, Cid Gomes. "Não será de um dia para o outro, vamos negociar com todo mundo antes", disse à Folha.
A proposta defendida por Cid é a adequação do currículo à aptidão do aluno. Se ele tiver propensão à área de exatas, por exemplo, poderá dar ênfase à matemática e à física no ensino médio.
Além da reforma, o novo ministro cita entre suas metas a ampliação de vagas no ensino infantil e de escolas de tempo integral, promessa de Dilma Rousseff na campanha.
Segundo Cid, no ensino integral, a ideia é focar as séries finais do ensino médio e fundamental, priorizando as periferias das grandes cidades.


Pedro Ladeira - 4.nov.2014/Folhapress
Futuro ministro da Educação, Cid Gomes (Pros) diz que fará reforma no ensino médio
Futuro ministro da Educação, Cid Gomes (Pros) diz que fará reforma no ensino médio
 
Governador do Ceará em fim de mandato, Cid Gomes toma posse na pasta em 1º de janeiro. A melhora em alguns indicadores educacionais no seu Estado foi o que motivou o convite de Dilma.
Recentemente, o governo federal chegou a adotar um programa de alfabetização inspirado em uma iniciativa cearense para ensinar crianças de até oito anos de idade a ler e a escrever.
Na política, Cid esteve do lado de Dilma quando seu antigo partido, o PSB, votou a favor do rompimento com o governo federal, em 2013. Dias depois, acabou saindo do PSB e entrando no Pros.
Cid provocou polêmica com uma frase durante paralisação de professores em 2011, ao comentar os baixos salários de um docente no Ceará: "Quem entra na atividade pública, e isso vai de deputado, a governador, prefeito e vereador e também médico, professor e policial, a meu juízo, deve entrar por amor, e não por dinheiro."
À Folha, disse ter sido mal interpretado. "Sou filho de professores. Meus pais me sustentavam com o salário deles, amavam o que faziam."
Deputados petistas tentaram impedir a escolha de Cid Gomes para o ministério.
O núcleo de educação do PT apresentou uma carta com 21 assinaturas a Dilma, no início do mês, pedindo que um petista ocupasse o cargo.
Os deputados lembravam que será a primeira vez em doze anos que um político de outro partido assumirá o controle da pasta. Segundo eles, o ex-presidente Lula também ficou contrariado.
"Essa é um reivindicação legítima, dado o acúmulo do partido no setor", argumentou a deputada Fátima Bezerra, coordenadora da bancada da educação. Para acalmar os ânimos, Cid sinalizou com a possibilidade de petistas participarem do ministério.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Cidade natal de Cid Gomes inspirou programa nacional de alfabetização

Sobral tem uma das melhores avaliações do Ideb no Ceará e no Brasil.
Programa de alfabetização na idade certa começou em Sobral, no Ceará.

Do G1 CE
No último discurso como governador, Cid destaca avanços na educação (Foto: TV Assembleia/Reprodução)No último discurso como governador, Cid destaca
avanços na educação
(Foto: TV Assembleia/Reprodução)

A cidade natal do governador do Ceará, Cid Gomes, nomeado nesta terça-feira (23) como ministro da Educação, inspirou programas nacionais de educação. O Programa de Alfabetização na Idade Certa, desenvolvida inicialmente em Sobral, foi a base para a criação do Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa, do Governo Federal.
"Essas avaliações, tanto as feitas pelo Ministério, quanto as avaliações censitárias, mostram um quadro preocupante da distribuição regional da desigualdade. Por isso, é tão importante que lá em Sobral, um prefeito e hoje um governador tenham mostrado que encarar a alfabetização na idade certa, não só é possível, como foi realizado. Faz parte da realidade do Ceará", afirmou Dilma Rousseff, quando anunciou o lançamento do pacto nacional.
Durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará, antes do anúncio oficial de que ocuparia o cargo de ministro, Cid Gomes destacou ações voltadas para educação durante seu governo, de 2006 a 2014. "Essa experiência teve muito resultado e está sendo estendida desde o ano passado até o quinto ano no Ceará", afirmou.
A cidade de Sobral alcançou a meta estabelecida para 2021 do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Segundo o Ministério da Educação, o PNAIC envolverá 108 mil escolas, 400 mil turmas e 360 mil professores.
No Ceará, o Programa Alfabetização na Idade Certa capacitou cerca de 15 mil professores dos 184 municípios cearenses e beneficia mais de 300 mil alunos de 1º e 2º ano do ensino fundamental, de acordo com o governo do estado. O projeto recebeu investimento de R$ 20 milhões do governo estadual.
Polêmicas com professores
Cid Gomes também se envolveu em polêmicas que geraram protestos e greves de professores da rede pública estadual. Durante greve de professores das universidades públicas estaduais em 2011, Cid falou que a categoria deveria "trabalhar por amor". "Isso é uma opinião minha que governador, prefeito, presidente, deputado, senador, vereador, médico, professor e policial devem entrar, ter como motivação para entrar na vida pública, amor e espírito público", afirmou.

Ainda em decorrência da greve, os professores ocuparam a Assembleia Legislativa em protesto contra a aprovação do reajuste salarial da categoria, abaixo do que os profissionais reivindicavam. Professores e simpatizantes da greve acamparam na Assembleia e deixaram o local apenas com uma ação da Polícia Militar, que usou spray de pimenta, gás e cacetetes contra professores. Pelo menos duas pessoas ficaram feridas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ciro aconselha Dilma a governar com a esquerda, em ‘melhores companhias’

6/11/2014 13:11
Por Redação - de São Paulo

Ciro Gomes
Ciro, irmão do governador Cid Gomes, fez a campanha de Dilma no Nordeste

Ex-ministro no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador cearense Ciro Gomes – um dos principais líderes do partido PROS – sinaliza que a presidenta reeleita, Dilma Rousseff, está diante de uma encruzilhada e sua melhor alternativa é o socialismo. 
Irmão de Ciro, o atual governador do Ceará, Cid Gomes, apresentou a Dilma a proposta de criação de uma frente de esquerda, que poderá se transformar até em um um novo partido de apoio a governo, para garantir a governabilidade no segundo mandato.
Em artigo publicado nesta quinta-feira, na página da revista Carta Capital, na internet, Ciro Gomes não poupa críticas à base de sustentação do governo, no Congresso, e à equipe com a qual ela governou ao longo dos últimos quatro anos. Intitulado Dilma precisa de melhores companhias, Ciro afirma ser “incrível que ela (Dilma) tenha escapado da derrota com a equipe que montou no governo”.
“O submundo do mercado e da política não deram à reeleita Dilma Rousseff nem 24 horas de trégua. E não haverá paz. Isso significa duas coisas neste momento: há muito pouco tempo para o novo governo se iniciar (o calendário gregoriano pouco importa aqui) e tudo o que ela não deve nem pode fazer, sob pena de se desconstituir muito rapidamente, é tomar iniciativas atabalhoadas que simbolizem uma rendição deslegitimadora a uns ou a outros. A alta dos juros básicos da economia, estabelecidos pelo Banco Central, na quarta-feira 29 foi péssimo sinal. Aumentar a gasolina neste contexto, fatal. Negociar com a escória que vota contra o governo na Câmara dos Deputados, e, logo, logo, no Senado, em seus termos e por meio da pedagogia da chantagem, será mortal”, afirma o ex-governador.
Ciro Gomes acredita que não exagera “em nenhum desses argumentos”. Dilma Rousseff, afirma, “só venceu as eleições pelo fato de a maioria precária de nós, brasileiros, perdoarmos as graves contradições de sua governança e, especialmente, de sua condução da economia”.
“E o fizemos por argumentos de duas ordens: confiamos em sua boa-fé e decência pessoal, vis-à-vis a crônica de desmandos e escândalos magnificados pelos sócios majoritários da imoralidade pátria, especialmente na grande mídia. E, acima de tudo, penso eu, por percebermos que, por trás de tudo, é possível enxergar que a “turma” que Dilma de fato representa, apesar de sua mania de andar mal-acompanhada, os valores mais importantes para o povo: o compromisso nacional, o trabalho como bem central em uma nação civicamente sadia, o compromisso moral com a superação da vergonhosa desigualdade que nos aparta (de um lado, uma elite minúscula, mas aferrada a uma cultura escravocrata, de outro, imensas maiorias excitadas com informação globalizada de um padrão de consumo ao qual não conseguem ascender com o pouco que evoluíram). Não é o suficiente para sustentar um novo governo com os problemas graves e urgentes no horizonte, mas é suficiente para recomendar: nesses valores, e não naqueles dos reacionários, Dilma precisa escorar-se para enfrentar a difícil tarefa que lhe espera”, acrescenta.
O ex-governador do Ceará aponta “algumas obviedades, outras nem tanto: equipe, agenda, foco, amor ao resultado, urgências”. Na opinião dele, “nada disso caracterizou o governo que se ‘encerrou’. Na verdade é incrível que Dilma tenha escapado da derrota com a equipe (salvemos as raríssimas exceções) inacreditável com que governou. E o problema não é a conciliação com picaretas bem-recomendados pela ‘base’, enquanto a presidenta faz, repleta de sinceridade, um discurso moralista”.
“Crise mesmo não é, porém, aquela essencialmente política, embora possa ser igualmente complexa. A crise potencialmente explosiva é a econômica. O país tem sido administrado da mão para a boca e nossas margens se estreitam de forma muito grave. Também aqui não creio exagerar. O ano de 2015 já será difícil se for feito tudo o que é preciso. E será pior se nada for feito. Alguns números para embasar as minhas preocupações: o desequilíbrio nas contas correntes do Brasil com o exterior é o maior da história e tende a aumentar (US$ 86 bilhões). A balança comercial de produtos manufaturados (diferença entre o que compramos e vendemos no mercado internacional no setor industrial) alcança US$ 106 bilhões. As contas fiscais se deterioraram aceleradamente nos últimos meses e a reversão pela via conservadora e não seletiva levará inevitavelmente à recessão”, pontua.
Ex-ministro da Fazenda, Ciro constata que “do câmbio vem uma pressão inflacionária, da área fiscal, uma pressão recessiva”:
“Primeiro efeito: estagflação. Resultados mais graves: o estreitamento da margem para os ganhos salariais e, no médio prazo, para a manutenção do nível de emprego. Se acontecer, os fundamentos centrais do novo e precário contrato político de Dilma Rousseff com a maioria será atingido. Para tudo há solução. Nenhuma delas mágica, acredito. Mas nenhuma produzida a partir da prostração ideológica que caracterizou a campanha eleitoral. Fora do trivial cardápio moralista, discutiram-se apenas as nuances de conservadorismo”.
“A presidenta precisa desinterditar o debate, chamar a inteligência brasileira e pedir que todos deixem suas certezas na porta de entrada e, livres de preconceitos, produzam uma ideia comovente ao país. Uma economia política inteligente guiada pelo pragmatismo na superação de nossos desequilíbrios. Um projeto de nação que coloque todo e qualquer sacrifício na perspectiva de uma construção de futuro. Não duvide: se Dilma temer os riscos e preferir as acomodações que se planejam para ela e seu tempo precário… Bem, Deus proteja o Brasil”, conclui.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Cid Gomes sugere fusão de partidos para reforçar base de apoio a Dilma

Governador do Ceará diz que vai articular criação de bloco na Câmara.
Objetivo é tentar enfraquecer o chamado ‘blocão’ liderado pelo PMDB.

Filipe Matoso Do G1, em Brasília
O governador do Ceará, Cid Gomes, concede entrevista após se reunir com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto (Foto: Filipe Matoso / G1)O governador do Ceará, Cid Gomes, conversou com jornalistas após se reunir com Dilma no Palácio do
Planalto (Foto: Filipe Matoso / G1)

Na tentativa de enfraquecer a influência do "blocão" liderado pelo PMDB, o governador do Ceará, Cid Gomes, sugeriu nesta terça-feira (4) a fusão de partidos que compõem a base aliada da presidente Dilma Rousseff para reforçar o apoio à petista em votações na Câmara e Senado.
Após se reunir com a presidente reeleita no Palácio do Planalto, Gomes também anunciou que articulará, imediatamente, a criação de uma frente parlamentar governista para desidratar o grupo de legendas que se uniu para ampliar o poder de negociação com o Executivo em votações da Câmara. Segundo o governador, a ideia é formar um bloco parlamentar com força sufiente para anular “pressões e chantagens” contra a presidente da República.
Cid Gomes afirmou que, para ter "relevo" na Câmara, a frente parlamentar favorável ao governo federal deveria reunir cerca de 50 parlamentares.
“Isso [a criação de uma frente na Câmara] tem que ser discutido para que a gente aprimore e veja a melhor estratégia. O melhor, para mim, seria, inicialmente, compor a frente e que ela possa evoluir, na sequência, a um partido novo. Um partido que resulte da fusão de alguns partidos”, explicou o governador do Ceará.
Apesar de, formalmente, fazer parte da base governista, o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), negociou na semana passada com lideranças de PTB, PSC, PR e SD a criação de um bloco parlamentar para aumentar o poder de barganha com o Planalto.
Dois dias após a reeleição de Dilma, o bloco liderado por Cunha ajudou a oposição a impor uma derrota à petista no Legislativo, com a derrubada do decreto elaborado pela Presidência que estabelece a consulta a conselhos populares por órgãos do governo antes da implementação de políticas públicas.
Fusão
Ao ser questionado sobre quais partidos poderiam se unir para dar origem a um novo partido, Cid Gomes ponderou que, na opinião dele, deveriam ser legendas com ideologia de esquerda. Ele citou PDT e PCdoB como exemplos de siglas que poderiam se fundir para reforçar o apoio à gestão Dilma. Ele também ressaltou que parlamentares insatisfeitos com PSB e PSOL poderiam reforças as fileiras do eventual partido.

"Eu acho que é fundamental que ela [Dilma] possa ter, além do PT, dois partidos ou frentes fortes que possam ajudá-la na governabilidade. […] Eu penso que esse movimento, de ter uma frente ou um partido de centro para além do PMDB e um partido ou frente à esquerda, ajuda na governabilidade e reduz o espaço da pressão que muitas vezes beira até a chantagem”, completou.
A jornalistas, Cid Gomes não quis comentar quais foram as opiniões da presidente sobre a formação da frente ou a fusão dos partidos. O governador do Ceará, que deixará o cargo em dezembro deste ano, disse que seria “indelicado” manifestar o posicionamento de Dilma.
Gomes disse avaliar que, nos próximos dois meses, a presidente passe por "grandes dificuldades" em razão de "sentimentos raivosos e de vendeta". "Dos que querem prejudicá-la, prejudicar o país, prejudicar o governo e eu quero ajudá-la nisso, me coloquei à disposição", completou.
Novo governo
Questionado sobre se discutiu com a presidente reeleita uma possível participação no novo governo, Cid Gomes afirmou não ser candidato a ministro. De acordo com ele, cabe à chefe do Executivo decidir sobre quem irá chefiar as pastas a partir de 2015.

“O meu projeto, na linha onde tenho trabalhado, é ir para o Banco Interamericano, passar uma temporada nos EUA como consultor do banco”, disse o governador cearense. Ao ser indagado sobre se poderia assumir o Ministério da Educação, Gomes afirmou que não irá comentar especulações.